2.2.12

Suporte para a escrita

Qualquer superfície pode ser utilizada como suporte para a escrita. Mas existem aqueles que foram usados de forma sistemática ao longo das civilizações e fazem parte da história da escrita.

Inicialmente os suportes mais duros eram utilizados: pedra, madeira, casca de árvore, casco de animais e ossos registraram o alvorecer da linguagem escrita. Desses, o mais marcante até hoje são as placas de argila utilizadas na Suméria (antiga civilização localizada onde atualmente temos o Iraque) cerca de 3500 a.C. para a escrita cuneiforme – considerada pelos historiadores a primeira. Para marcar a argila era utilizada uma cunha.




Depois vieram os suportes de origem vegetal, como as folhas de palmeira na Índia e o bambú na China.




O papiro espalha-se do Egito por toda Europa e Oriente Médio depois de 2500 a.C. Fabricado a partir de tiras entelaçadas do caule da planta de mesmo nome. Neste link há um passo-a-passo de como fabricar uma folha de papiro. E Abaixo, reprodução de um texto de medicina egípcio escrito em papiro e datado por volta de 1600 a.C.



Na América, os Maias utilizavam uma espécie de papel, chamado de Kopó, fabricado a partir da casca de figueira e mais propício à escrita que o famoso papiro. Um dos poucos códices maias que sobreviveram à invasão espanhola, encontra-se atualmente na cidade de Dresden, na Alemanha e foi escrito nesse tipo de papel.



Voltando à Europa e aos suportes mais rígidos, tábuas de madeira revestidas de cera eram utilizadas na Roma Antiga para anotações cotidianas, com a vantagem de poder ser apagada, simplesmente raspando a camada de cera escrita e substituindo por uma nova camada lisa. Nas chamadas tábulas se escreviam com uma espécie de estilete ou marcador de ponta fina.




De origem animal, o pergaminho conquista o Ocidente e Oriente Médio na Antiguidade por sua durabilidade. Este material foi usado amplamente nos mosteiros da Idade Média para presevar diversos textos. Feito a partir de pele animal, até hoje é utilizado para documentos importantes, pois além de durável, dificulta a falsificação. No Brasil ainda há fabricação artesanal de pergaminho.






Mas é o papel chinês que conquista o mundo e torna-se o suporte mais importante de nosso tempo. Dele não é preciso falar muito...

Agora caminhamos para as tablets digitais, que lembram as antigas tábulas de madeira.


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Atualização 08/02/2012

Encontrei essas fotos de cálamo, precursora da caneta de pena, muito usado para escrever no papiro, pergaminho e papel. Tem também um esquema mostrando como cortar a ponta da pena para a escrita.



2.1.12

Pausa para balanço em 2011


Em geral, designers adoram super-heróis
e acabam querendo se tornar um deles.
Essa é uma profissão de super-homens
que sabem desenhar, planejar, programar, vender...
e eventualmente fazem projetos.
Fortes como o Incrível Hulk, dormem pouco,
não têm muito tempo para comer,
mas são sempre simpáticos
e brincalhões com os clientes, colegas e chefes.
Enfrentam cara feia, prazo apertado, falta de recursos.
Combatem o mau gosto e a falta de senso estético da humanidade.
Assim parecem que são meus colegas de profissão.

Como não me encaixo nesse perfil,
dei uma pausa do trabalho.
Em maio tirei uma licença
e fui viajar com minhas poucas economias.
Vi e vivi muitas coisas, mas não trabalhei.

Apesar desse blog não ser profissional,
ele é alimentado por minhas experiências
e descobertas profissionais.
Assim parada, ele parou comigo.

Agora que retorno, o paper toy da Mulher Maravilha
me faz companhia, para que eu não me esqueça
que sou uma simples mortal humana.
E que venham os trabalhos de 2012!

19.4.11

Encadernadores #2

O segundo texto dessa série é sobre o trabalho delicado e criativo da norte-america Natalie Stopka que mistura costura, croché e encadernação para fazer seus livros artesanais. Confiram.















































12.4.11

A pressa é amiga da cópia

Pra mim é difícil acreditar que um profissional de criação queira copiar o outro. O caminho natural do trabalho é sair do comum para destacar-se. No entanto, existem alguns fatores que favorecem a cópia. A pressa é um deles. Sei que a maioria dos trabalhos são feitos na correria. Sei também que a maioria dos profissionais criativos se gabam por trabalharem em prazos curtíssimos e por serem fortes o suficiente para aguentar a pressão contra o tempo. Mas quando não se pode pensar e pesquisar com calma, estamos vulneráveis. Nos apegamos às primeiras ideias e não conferimos se elas são originais ou lembranças remotas do que vimos. Além de serem as mais óbvias e passíveis de repetição.

Pelo menos essa é a minha experiência. Em maio do ano passado, visitado o nascapas, fiquei chocada ao descobrir não uma, mas duas capas parecidas com a que eu havia feito dois meses antes.


Época (7/09/2009)








The Economist (08/05/2010)








E entre elas Conjuntura Econômica (março 2010)





Como aconteceu com a The Economist, não sei. Mas a Conjuntura Econômica foi por pressa. Tive que resolver a capa em um dia e achei que estava ótimo! Dois meses depois, passada a surpresa inicial, tive que admitir pra mim mesma que eu havia visto e gostado da capa da Época em setembro do ano anteriro, mas a imagem dela ficou guardada em algum lugar no meu inconsciente, de forma que quando fiz uma capa com o mesmo assunto, não me lembrei que essa imagem já havia sido publicada.

Portanto, a pressa passa, a cópia fica.

7.4.11

Deixe que pensem, que falem...

Fazer um logotipo, uma marquinha, uma identidade visual é uma coisa. Fazer uma identidade visual de repercussão – que será visto e discutido e replicado em massa – é outra bem mais complicada. Redirecionar visualmente uma marca reconhecida no mercado é das piores coisas... se tiver tradição então...

Mas o pior mesmo são as chatas discussões em torno de uma nova identidade visual. Seeeeempre que há um lançamento são dias, semanas... lendo críticas. Não leio mais. Acho irresponsável esse burburinho em torno do gosto ou não gosto.

Creio que projetos desse porte só podem ser avaliados através do processo. É preciso saber quais eram os objetivos, conhecer o universo no qual está inserido, o público a que se dirige e respeitar as decisões tomadas. Por isso, o que critico enfaticamente são as exposições de design que apenas exibem os produtos, sem falar das variáveis do projeto – mas essa é uma outra questão.

Enfim, a última ladainha que vi, foi sobre o lançamento da nova identidade visual de O Boticário. Quando um amigo me mostrou, a única observação que fiz foi sobre a ruptura com o antigo logotipo, mas sinceramente, quem deve decidir se haverá ou não uma continuidade são as pessoas envolvidas no projeto. Portanto, respeito a decisão deles e acredito que tiveram seus motivos.

No papel de público-alvo da marca, digo que gostei da mudança e aprovo a ruptura.












A nova identidade visual tem até uma tipografia exclusiva.







Optaram por uma extensa paleta de cores vibrantes e combinações pouco usuais.




E aí algumas aplicações...




A FutureBrand, responsável pelo trabalho, defende-se em um vídeo publicitário e pouco instrutivo em termos de projeto.




Pesquei as imagens e o vídeo no Ideia Fixa, onde você encontra mais informações sobre a discussão toda.

5.4.11

Encadernadores #1

Como a encadernação artesanal entrou na minha vida pra ficar, estarei pesquisando referências pela internet e vou postar uma série de encadernadores. Nada mais óbvio que começar pela Zoopress, onde fiz o curso e de quem sou fã absoluta. O trabalho da Rosa não precisa de muita defesa porque é simplesmente perfeito. Ela estudou muito sobre encadernação, foi assistente de um estúdio nos EUA, usa e abusa das técnicas e materiais, tem um trabalho diversificado e criativo. Enfim, melhor ver...








 Comecei com essas duas linhas para mostrar que o trabalho da Zoopress é tradicional e moderno, ao mesmo tempo que valoriza referências históricas, busca criar novos modelos adaptados à estética contemporânea.




















Meus favoritos são tantos que não cabem aqui, então aconselho uma visita ao Flickr da Zoopress.